Escola das meninas em Santiago, Londres, Madri e Amsterdam.

Querida amiga expatriada,

recebo muitas perguntas sobre as escolas das minhas filhas pelo mundo afora. Vamos lá!

Em primeiro lugar, elas nunca frequentaram nenhuma escola no Brasil. A Valentina nasceu no Brasil, e eu voltei da licença maternidade quando ela tinha cinco meses e em seguida optamos por #partiumundo.

Em segundo lugar, eu não vou colocar o preço das escolas nesse post. É necessário fabricar dinheiro para pagar ou La Casa de Papel Feelings. 🙂 #ficaadica

Toda as vezes que meu marido fala que vamos mudar de país, eu penso logo nas escolas. Por onde começo? Qual escolher? Será que tem vaga? Será que podemos pagar? Será que é melhor pública ou privada? 122mil dúvidas de todas as mães expatriadas pelo mundo afora.

Eu SEMPRE pergunto para meu ciclo de amizades se tem alguém para me indicar no país novo. De preferência, mães. Migs, elas sabem BEM indicar escolas. Aí começa a saga … liga e manda email para todas as escola, preencher milhares de formulários para aplicação e rezar, orar, implorar, pedir para São Longuinho, acender vela, tomar banho de sal grosso … enfim, tudo vale até conseguir uma vaga. Entendedoras entenderão!

Santiago, Chile.

Quando chegamos no Chile, a Valentina tinha 8 meses de idade. Moramos dois longos meses em um flat bem pequeno até encontrar uma casa. Mudamos para o bairro de Las Condes. Ficava 10minutos do trabalho de Thiago. Eu passei apenassssss SEIS MESES procurando emprego. Nesse período, já que não estava trabalhando, optamos por deixá-la em casa até completar 01 ano de idade. Ela frequentava a escola somente no período da tarde.

Valentina estudava no Jardim Infantil y Sala Cuna El Manzano, em Las Condes das 13h as 17h, de segunda a sexta. Super mega ultra recomendo!

Eu AMAVA a escola, e ela também. Pegou vários vírus e doenças. Aprendeu espanhol. Resultado do balanço: EXCELENTE!

Quando mudamos para Londres, morri de chorar na despedida da escola. As crianças pintaram as mãozinhas e passaram em um cartaz lindo, de presente.  As professoras choraram também. Ahhh esse jeito latino que somente nós entendemos, sabe?

Londres, Inglaterra.

Em Londres, nós morávamos em Ealing – west London. Na Inglaterra é padrão estudar em uma escola do seu bairro. Primeiro porque Londres é GIGANTE, ou seja, impossível se locomover entre bairros para deixar filhos na escola e trabalhar. Depois porque just the way it is … quando seu filho completa 4 anos inicia no Reception em uma escola pública de acordo com a “catchment area”. Não é você quem escolhe a escola, mas as escola te escolhe. Migs, pode esquecer indicação ou todo dinheiro que você tenha, esse é o sistema.

A Valentina entrou na Buttons Nursery assim que chegamos em Londres. Ela tinha 1 ano e meio. Saiu da escola com 4 anos para fazer o Reception. A Victoria nasceu em Londres. Voltei a trabalhar assim que ela completou seis meses de idade, e ela também foi para a mesma nursery.

Migs, minha vida tinha muito perrengue, mas nesse sentido não. A escola ficava DUAS quadras de casa. Thiago levava as meninas, porque eu entrava no trabalho as 7h30 da matina – diz a lenda que quem cedo madruga vai ficar rhycah. Eu buscava as meninas as 17h. Era MUITO prático. Claro que chovia, ventava e nevava … mas tem coisa melhor nessa vida do que ter segurança? Eu não estava trancada em um carro blindado, no trânsito em São Paulo apenas esperando ser assaltada. Infelizmente, essa é a vida como ela é no Brasil.

Eu mega ultra super indico essa nursery. Elas amavam. Eu amava! Serei eternamente grata pelas lindas e especiais professoras/es que elas tiveram.

A única coisa é que precisa fabricar dinheiro – La Casa de Papel Feelings – porque as escolas são caríssimas!!! Só ralando muitoooo para pagar. Por isso, muitas mães não trabalham na Europa porque a escola é caríssima. Outra opção é escolher quantas vezes por semana e o período do seu filho na escola, de acordo com seu bolso.

Quando a Valentina completou 3 anos iniciamos o processo para aplicar para a escola pública. Funciona mais ou menos assim – você seleciona até cinco escolas do seu bairro, em dezembro faz o processo para aplicar, em abril será selecionado de acordo com sua “catchment area” e em setembro as aulas começam. Nós queríamos muito a escola Oaklands Primary School e conseguimos. Iupi!!!

Migs, todas as vezes que eu lembro da escola, tenho vontade de chorar … mas de alegria mesmo. Minha mãe ralou muito para pagar pelos meus estudos. Estudar em uma escola pública, no Brasil, infelizmente não é o melhor que podemos dar para nossos filhos, mas na Inglaterra …SIM! A escola era incrivelmente incrível e de graça, na verdade com o dinheiro dos nossos impostos.

Ambas as escolas ficavam na mesma rua, então era muito prático. A Vic ía no carrinho e a Valentina na pranchinha atrás do carrinho em pé e … voilá!

Valentina ficou apenas seis meses nessa escola e mudamos para Madri, na Espanha.

Madri, Espanha.

Migs, minha passagem por Madri foi breve mas intensa. Ficamos apenas seis meses. Como as minhas filhas estudaram praticamente a vida toda em Londres (1 ano e meio e 4 anos uau!!!), em boas escolas nós conseguimos vagas em ótimas escolas em Madri.

Morávamos em La Moraleja, perto das escolas. Deixa eu te contar, querida amiga-mãe-expatriada se a escola for na zona rural em qualquer país, sempre more perto da escola, ok? Isso mesmo. Não adianta. É muito mais prático, você trabalhando fora ou trabalhando em casa. O seu tempo será otimizado para usá-lo para trabalhar, serviços domésticos e passando menos frio na rua para pegar as kids.

A Valentina estudou na Runnymede College. É uma escola super mega ultra tradicional e conceituada na Espanha. Tem o currículo 100% britânico.

Migs, para escolher uma escola, primeiro tem que entender o perfil da sua família e depois buscar. A Runnymede é classe AAA e bota mais AAA nisso … não é o meu perfil. Por outro lado, o ensino é nota 122mil! Seu filho TEM que falar espanhol porque tem muito mais espanhóis do que expatriados. E se você quer uma vaga nessa escola, pode engravidar e já cadastrar o filho, rezar, distribuir santinho, conhecer a nata da sociedade madrileña, tomara que seu marido tenha um cargo altíssimo e mesmo assim não vai conseguir. É fodástico mesmo!

A Victoria estudou na Little Acorns. Quando eu lembro, morro de amores e saudades! Ela foi MUITO feliz nessa escola e no Summer Camp também mandei a Valentina. É uma escola britânica.

Eu indicaria algumas escolas, como:

Tenho uma amiga que tem uma empresa de relocation em Madrid – Relok Services. Ela pode ajudar na escolha das escolas. O nome da empresa é . O nome dela é Fabiana Halfen. Migs, entre em contato no fone +34 600 973 639.

” Em Madrid, você vai encontrar uma grande variedade de escolas para os seus filhos, incluindo escolas públicas, concertadas (do governo mas os pais pagam taxas) e privadas.
As escolas privadas tem várias opções, como: internacional, bilíngue, britânica e americana. As escolas estão localizadas tanto no centro da cidade quanto em La Moraleja, Pozuelo de Aracón e outras cidades. Também existe o serviço de ônibus da escola, caso necessário.
A maioria das escolas funcionam em horário integral na Espanha, e as internacionais das 9:15 a 16:30″.

Amsterdam, Holanda.

Quando mudamos para a Holanda, ficamos muito na dúvida na escolha da escola das meninas. Queríamos muito que ambas estudassem na mesma escola, como em Londres, pois facilita demais a vida. Não era uma escolha uma escola em dutch, pois não sei quanto tempo vamos ficar aqui e seria a QUARTA língua para as meninas em tão pouco tempo.

As meninas tem perfis muito diferentes. A Valentina é uma princesa, desde que nasceu nunca me deu trabalho, doce, super lady e sensível. A Victoria é a princesa que vai fugir do castelo com o cavalo do principe, carinhosa, Drama Queen e intensa. Nesse caso, a Valentina em uma escola britânica se tornou muito mais tímida, super “certinha”/ mega British way of life. A Vic PRECISA de uma escola assim. Decidimos, em conjunto, pela escola internacional com o currículo International Baccalaureate – saiba mais aqui!

Na Holanda, tem algumas escolas internacionais. Seguem algumas opções, mas saiba que a mensalidade varia muito de 600 a 2500 euros por mês, para cada filha(o).

O sistema de ensino da Holanda é bem diferente do resto do mundo, por sinal, é excelente! Saiba mais aqui, nesse post da Ana de Amsterdam.

Migs, eu não tenho a fórmula secreta para escolher uma boa escola, mas se você está de mudança para algum país que eu já morei, me manda mensagem (quer virar minha Migs? :)) que eu te ajudo.

 

Conto de Fadas X Conto de Fod…

Migs,

se você é expatriada, vai saber bem que a nossa vida não é um Conto de Fadas. Essa semana está mais para Conto de FOD… (isso mesmo que você leu!).

A situação no Brasil está ladeira abaixo. Dólar altíssimo, muito acima de 5 reais. Eleições chegando – by the way, eu transferi meu voto para a Holanda. Insegurança em todos os sentidos. Perspectiva zero, para não dizer negativa. Diante tudo isso, o sonho de morar em outro país só aumenta mas Migs, sinceramente … você tem mesmo noção do que é ser expatriada? 

Os brasileiros tem uma visão muito, mas muito distorcida do que é morar fora do Brasil. Acham que pegando as malas e #partiumundo é a solução de todos os problemas. Senta aqui. Deixa eu te contar. Sim, realmente vai ser a solução para alguns dos seus problemas atuais, mas você terá outros tipos de problemas, e piores se não estiver preparada.

Ainda mais com as redes sociais … é tanta gente feliz morando fora!#sqn

Li um texto muito interessante sobre a quantidade de pessoas que estão indo morar em Portugal e as dificuldades que estão enfrentando no sonho idealizado.

Eu recebo vários convites de amizade no LinkedIN. Acho que a pessoa pensa que eu trabalho na Holanda então posso ajudar. Queridos, eu não sou a pica das galáxias no meu trabalho e não trabalho em RH. Se eu soubesse como conseguir um emprego fácil, não teria feito apenas 32 entrevistas. O seu extenso e renomado CV junto com a sua dupla cidadania pode não valer nada aqui.

Minha mãe querida (obrigada mãe!) ficou na Holanda, em casa, quase três meses. Se ela não estivesse aqui, nós não poderíamos trabalhar. As meninas tiveram NOVE semanas de férias. Quem viaja nove semanas, no ano, nessa vida? Pela Lei daqui nós temos 25 dias úteis no ano. Aí você deve pensar: é só pagar alguém. Faça um cálculo simples, a hora da babá custa 10 euros. Portanto €100 por dia no horário comercial, ou seja, €500 na semana. Se eu tiver que pagar todas as férias das minhas filhas sairia €4,500 ou 23,175.00 reais. Se estiver sobrando essa quantia para você, me doa please! 🙂

A conta não fecha.

Tenho amigas pelo mundo afora que trabalham, não trabalham, o marido trabalha, o marido não trabalha, ela trabalha e banca a família, com um filho, dois filhos, três filhos e sem filhos … enfim, mas NENHUMA fala que sobra muito dinheiro. Nós ganhamos em euros/ pounds, mas nós gastamos em euro/ pounds. Por exemplo, uma escolinha (antes dos 4 anos) aqui custa entre €1,200 a €1,500 por mês – depende da quantidade de dias da semana que seu filho vai frequentar. Por outro lado, a Migs que mora no Brasil pensa que isso seriam 1500reais. Não, minha querida, não basta tirar o euro e substituir por reais. Um salário de uma mãe, em alguns casos, só daria para pagar a escolinha para apenas UM filho. Por isso, muitas delas não trabalham.

Aí você trabalha o ano todinho e resolve visitar a família no Natal. Pode separar de €700 a €1,000 por pessoa de passagem, no mínimo, ou seja apenas 20.000 reais só para pisar no Brasil sil sil. Acrescenta também os 122mil presentinhos que tem que levar para a família, tia, vizinha, amiga, amiga da mãe, família do marido e tudo mais. Ahhhh claro que aqui não existe 13 salário!

Minha mãe foi embora há pouco mais de uma semana.  Ai que saudade e tristeza, mas isso é assunto para outro post!

Thiago está fora desde domingo e volta amanhã (sábado). E eu? Bom, eu tenho a Thais amada que limpa minha casa 6 horas na semana e fica com as meninas 8 horas na semana (quando estou em Rotterdam). Tirando isso, eu tenho que trabalhar três dias em casa, dois dias em Rotterdam (3h30 por dia no trem), bater minhas metas no trabalho, fazer mercado (odeio!), cozinhar, levar a Valentina no tênis, fazer aula de música com a Vic, levar e buscar na escola, limpar a casa, lavar, secar e guardar a roupa, colocar e guardar a louça da máquina, arrumar as lancheiras, ajudar na lição de casa, ler livrinho, banho nas duas, colocar para dormir, academia, reunião na escola, playdate (toda semana eu faço em casa), levar para vacinar, passar maquiagem para ter dignidade, e shampoo seco quando não deu tempo de lavar o cabelo e …  ainda agradeço que ninguém ficou doente essa semana, oba!

E quando chove no Brasil? As pessoas não saem de casa. Quando faz muito frio, não levam os filhos na escola. Rá! Na Europa, se você não levar, a escola liga no mesmo dia. Se não levar três vezes, uma pessoa do governo faz uma visitinha na sua casa para saber o que está acontecendo. Você pode escolher entre muita ou ser preso, que tal?

Acima de tudo isso, e principalmente, vem a diferença cultural. A adaptação em outro país é super difícil, para minha família leva quatro meses, mas porque já moramos em outros países. Na média, acredito que seis meses no mínimo.

Sempre alguma amiga minha comenta que quer morar fora. Eu olho a quantidade de ajuda e mordomia, e penso: a pessoa não tira o prato, que comeu,  da mesa. Não lava a própria calcinha. Não cozinha a comida dos filhos. Não pega ônibus. Não pega metro. Não preciso nem falar mais nada …

Querida amiga expatriada, “tamujunto” no zero glamour dessa vida que nos ensina tanto. 🙂

Você trabalha ou convive com diferentes culturas?

Querida amiga-mãe-expatriada,

você trabalha há anos para uma empresa brasileira, mas ela é comprada por uma empresa chinesa. Você participa de um projeto onde tem colegas de outros países. O chefe do seu chefe é americano. A matriz da sua empresa é na Finlândia. O “pica das galáxias” (desculpa pelo nome, mas ele é o cara!) da sua empresa é russo. Esses são alguns pequenos exemplos de interação entre diferentes culturas, mesmo você sentando atrás de um computador no Brasil.

Há cinco anos morando fora do Brasil, já vivenciei e escutei relatos de muitas situações onde no final tudo se resumia a DIFERENÇA CULTURAL.

Sabe aquela tela azul do Windows – PAHHHH na sua cara? Então, diferença cultural é tipo isso. Muitas vezes acerta lá no coração, com um soco na barriga ou aquela vontade de chorar (no meu caso, manteiga derretida!).

Eu já trabalhei para empresas americanas, brasileiras, finlandesa e há três anos trabalho para uma empresa francesa. Já trabalhei com 122mil pessoas de diferentes países (me achany!) e ainda preciso aprender MUITO. Discutindo sobre a diferença entre as culturas no grupo de zap dazamigas da Holanda, uma delas (Cissa, obrigada!) me indicou um livro que eu mega-ultra-power-indico! Chama-se:

The Culture Map, de Erin Meyer.

Migs, eu não vou fazer resenha do livro porque tenho uma pilha de roupas para lavar e aspirador para passar. Fora que vale a pena você comprar! Quero citar algumas partes muito interessantes.

Para começar, não quero dizer que a minha cultura não é boa, os americanos são os melhores do mundo e os chineses vão dominar o mundo. Não é bem por aí. O importante é você entender os pontos positivos e negativos (para você) de cada cultura e saber navegar entre eles da melhor forma possível. Me avisa quando conseguir, porque eu também preciso de ajuda. Eita, que baita desafio! 🤝

A autora criou um modelo de oito escalas, onde cada país se encaixa. São eles:

✔️ Comunicação: alto contexto x baixo contexto

✔️ Avaliação: feedback direto negativo x e feedback indireto negativo

✔️ Persuasão: princípios x aplicações 

✔️ Liderança: igualitária x hierárquica

✔️ Decisão: consensual ou top down

✔️ Confiança: baseada em resultado x baseada em relacionamento

✔️ Não concorda: confronta x não confronta

✔️ Tempo: linear x  flexível.

Comunicação de alto contexto x baixo contexto

Tem culturas que são de alto contexto como os americanos. Tudo é super-hiper-mega-ultra-bem explicado, se você não entendeu, então eu não soube te explicar (o erro é meu!). Acho que eles nasceram para fazer “manual” de produto. Nas reuniões de trabalho, sempre começam com aquele blablabla: Estou super feliz e lisonjeado em fazer parte desse excelente time e sei lá mais o que … querido, come on! Você estaria feliz mesmo é numa praia no Caribe.

Outro exemplo é em UK, no final de cada reunião eles fazem o “recap”. Falam tudo o que aconteceu na reunião: “Acordamos que vamos promover o Ciclano dia 12 de 2056, para fazer 87 planilhas de XPTO”. No Brasil, conhecido como uma cultura de baixo-contexto, após o término dessa mesma reunião, a pessoa manda um email com a ATA ou o “recap” por escrito. Isso pode ser uma ofensa em outras culturas, soa como falta de confiança escrever o que já foi falado.

Mais um exemplo é um americano mandar um email (bem claro) para um fornecedor solicitando algo. O britânico vai responder dentro de 24 horas que não tem a resposta, mas na quarta-feira vai dar a solução. Os espanhóis e italianos não vão responder o email, mas depois de duas semanas respondem: resolvi tudo, fiz tudo e tudo está pronto.

As culturas asiáticas como chinês, koreano, japonês, só vão falar em uma reunião se foram solicitados.

Em todos os países conceituados como baixo-contexto a comunicação fica nas “entrelinhas” e tem que entender o que está “pelo ar” … o que torna muito difícil a comunicação entre essas culturas.

Feedback direto negativo x e Feedback indireto negativo

Migs, a autora traça uma linha e coloca os países de acordo com cada tipo de feedback ou melhor FODEback. Adivinha qual é o país da cultura de mais FODEback? Holanda! Welcome to my life. Isso mesmo. Eu vivo isso praticamente todos os dias no meu trabalho e em todos os lugares da Holanda. Eu e todos expatriados que moram aqui.

Segundo a autora, o holandês da feedback na frente de qualquer pessoa ou grupo, e principalmente para qualquer pessoa. Isso mesmo! Ou seja, se ele quiser falar que o chefe não é bom, ele fala na cara do chefe mesmo e na frente de todos. Eu falei que não concordava com algo numa reunião, o holandês levantou e saiu andando. Já vi funcionário jogando a caneta no colo do chefe e mandando ele fazer, e segue o baile da vida … minha gente, aqui é assim! E estou penando para entender.

O americano fala quatro 3/4 coisas positivas e depois senta que lá vem bomba! O francês (eu trabalho com eles!) fala a bomba e depois as coisas positivas. Particularmente, prefiro dessa forma.

Persuasão: princípios x aplicações

Um exemplo citado pela autora é nos EUA. Normalmente nas salas de aulas, eles passam um case (caso de sucesso) e depois falam sobre o assunto, agregam conceitos e fazem uma conclusão. Em uma cultura como a da Alemanha, isso não é aceito. As pessoas foram treinadas para começar uma apresentação (ppt) construindo um argumento teórico (com muitos conceitos).

Liderança: igualitária x hierárquica

Os países latinos são super hierárquicos. Os italianos e espanhóis também. Os asiáticos (coreanos, japoneses, chineses, indianos, tailandeses e etc) são 100% hierárquicos, seja no trabalho, em casa, na rua e etc. Em alguns desses países isso tem mudado, mas muito pouco ainda. Por exemplo, no ambiente de trabalho os colaboradores usam mesas sem baias, e algumas empresas pode escolher a mesa no dia. Já em outras empresas, o Diretor tem sala e com janela. Uau!

Para um Diretor de um país escandinavo é um saco ter que aprovar tudo e ser consultado para tudo.

A PCD da minha empresa, People Culture Director, conversou muito comigo e disse que no Brasil é uma cultura de pai e filho, ou seja, desde pequenos somos orientados, pedimos permissões e crescemos assim no ambiente de trabalho também. Já na Holanda, um país de adultos, isso não acontece porque tudo é de igual para igual.

Decisão: consensual ou top down

Eu nem preciso reforçar o que todo mundo já sabe … sim, no Brasil a decisão é top down – quem manda nessa poha sou eu! Inclusive você não pode de forma alguma mandar email para uma pessoa que tenha um cargo superior, se o seu gestor não estiver ciente. Na Holanda pode, minha gente! No livro, um mexicano cita que o time todo dele holandês mandava email direto para o CEO e ele queria se jogar no canal pois não sabia de nada.

Em uma cultura consensual, onde as decisões são feitas em grupo, leva-se mais tempo para tomar uma decisão. No entanto, por ser consensual, o processo de implantação da decisão é mais rápido. Por outro lado, estas decisões são mais rígidas e muito mais difíceis de mudar.

Confiança: baseada em resultado x baseada em relacionamento

Quando comecei a trabalhar em UK, há três anos, não entendia como um mega-ultra-power cliente nosso não era chamado para nem um almocinho básico. Isso mesmo! Zero relacionamento. Aqui, na Europa, é resultado. Exceto na Espanha e Itália.

Não concorda: confronta x não confronta

As pessoas dos países asiáticos são condicionadas desde o nascimento a não confrontarem jamais, seja dentro e fora do trabalho.

A autora conta que nas palestras para italianos, argentinos e espanhóis é bombardeada por perguntas e colocações a todos instante. Para começar, não sabe nem ao certo qual será a quantidade de pessoas no evento e muito menos o público alvo.

Tempo : linear x flexível

Nas culturas de tempo linear, os passos de um projeto devem ser abordados de forma sequencial, completando uma tarefa, antes de começar a seguinte. Sem interrupções. O foco é o prazo final e o respeito a programação.

Nas culturas de tempo flexível, os passos de um projeto são abordados conforme as oportunidades. Muitas coisas são executadas simultaneamente. Resumindo: um verdadeiro samba!

Migs, vamos lá … julgar uma cultura não vai te ajudar em nada. Uma amiga brasileira na Holanda, Analu, me disse que é melhor apertar o RESET e seguir o baile da vida. Isso mesmo é o que estou tentando fazer … mas está fodástico!

Edimburgo, na Escócia, com crianças

Querida amiga-mãe-expatriada,

desde que morávamos em Londres que Edimburgo, na Escócia, estava na minha ✔️bucket list. Porém duas amigas foram com crianças e não gostaram, comentaram que não da para andar nas ruas com carrinho e não pode crianças em pubs/ restaurantes depois das 18h. Adiei a viagem por um tempo, mas vendo as fotos de ruelas lindas, fui lá plena e pah … comprei as passagens para o break de fevereiro (férias escolares)!

Nevou tanto que todos os voos foram cancelados por dois dias. Remarquei a passagem para agosto. Que sorte pois é a melhor época do ano para visitar a cidade! 🍀

Migs, se eu não viajar com as minhas filhas, eu vou viajar com quem? Não tenho família perto, babá ou mensalista.

Perrengue? Sempre.

Lugares maravilhosos? Sempre.

Então, bora lá!

Como ir

Fomos de Easy Jet. Aeeee passagem baratex!!! Na ida, o voo atrasou três horas – tenho uma relação de amor e ódio com essa companhia aérea mas sigo comprando. Meu marido reclama, mas não resisto ao preço 🤑.

Sempre levo algumas bonequinhas, carrinhos (Vic ama!) e dois pacotinhos surpresa para o voo.

Pegamos um voo direto de Amsterdam para Edimburgo, 1h20 de duração.

Quando ir

A Escócia tem 122mil coisas para ver e fazer. Highlands, cliffs, castelos e etc. Se você tem mais tempo, não deixe de pesquisar e conhecer outros lugares.

Eu não tenho a menor dúvida que a melhor época é agosto, o mês todo. É verão (de 15 a 20graus!) e tem o maior festival de arte do mundo: Fringe. Por outro lado, o valor triplica de hospedagem nessa época do ano.

Nós ficamos somente o final de semana, pois já reservei, com muita antecedência, todos os dias das nossas férias pela Lei da Holanda.

Onde ficar

Recomendo o Hotel Apex. Tem em duas localidades. Reservei para fevereiro, mas em agosto estava impagável.

Lá fomos nós de Airbnb. Amamos o apartamento! Tamanho excelente com dois quartos e dois banheiros. Nem precisava de tudo isso, mas que delícia ser rhycah por dois dias! Tinha até banquinho para as meninas alcançarem a pia.  O dono do apartamento era muito prestativo e profissional. Ficava 15 minutos do centro.

Gostei MUITO mesmo!

Contato: David Wind Apartment +44 7736 323789

Alimentação

Nós compramos o café da manhã dos dois dias no Tesco. Eita saudade! Tem um pãozinho pré-congelado, tipo francês, muito bom para matar as saudades do Reino Unido. No sábado também compramos o jantar semi-pronto das meninas. Adoro essa praticidade!

Em agosto, os restaurantes são muito lotados. Faça reserva com muita antecedência. Almoçamos no Pizza Express (não tinha outra opção perto do Castelo).

A noite minha mãe ficou com as meninas (obrigada maiê!) e ganhamos vale night. Fomos ao restaurante francês La Garrete, meu marido pediu coelho (sorry vegetarianas de plantão!) e eu comi uma carne, que desmanchava na boca, com polenta. Delícia! Não comi inteira porque amoooo sobremesa, e queria reservar um espaço na pança. Eu só estava esperando … dito e feito. O garçom veio tomar satisfação porque não comi. Trabalho para uma empresa francesa e sei bem como eles são nesse quesito comida.

City Tour

Não tem asfalto no centro da cidade. As ruas são de pedras com muitas subidas e descidas. Levamos o carrinho porque eu sabia que ía chover e era o jeito mais fácil de carregar as duas o dia inteiro, sem reclamações. Enfiei as duas sei lá como – última viagem de carrinho, elas não cabem mais.

Optamos por fazer o Hop on Hop off prla praticidade e aproveitei para matar as saudades do Reino Unido. Valeu muito a pena! Custa £15 por pessoa (adulto) e o passeio leva 3 horas com áudio em português. Pode descer e  subir onde quiser e quantas vezes quiser por 24 horas.

✔️Fringe Festival

Milhares de pessoas do mundo todo nas ruas passeando, cantando, fazendo apresentações, dançando, exposições, pecas de teatro e museus de graça. As meninas também amaram! Tinham muitas atividades para crianças. Nunca tinha visto algo assim. Foi incrível!

✔️Museu do Brinquedo (gratuito). São três andares de brinquedos interativos e super antigos. Passamos um bom tempo por lá. Meu marido até dormiu sentado na cadeira (aeee Thiago!).

✔️Scotch Experience – os homens adoram! Whisky que não acaba mais, do chão ao teto.

✔️Castelo de Edimburgo – nós subimos até o castelo. Uma vista linda. Não visitamos porque tinha fila de 1h30 mais 3h de visita e fazer isso com duas filhas? Não, obrigada. De nada.

✔️Castelo Hollyrood – é o castelo dazamiga milhooonária querida Rainha Elizabeth, quando vem a Escócia. Não pode tirar foto dentro. As salas são gigantescas. Muitas obras de arte. Tem uma cama enorme e linda que era da Queen Mary. Um jardim lindo!

Super tranquilo de visitar com criança. Tem uma área verde bem grande. Uma sala cheia de brinquedos e papéis com lápis para colorir.

✔️Old Town – é o centro antigo. Andamos sem rumo e sem endereço pelas ruelas lindas da cidade. Casinhas coloridas. Lugares que pareciam um filme. Lindo!

✔️New Town – praticamente não andamos, mas tem todas as lojas famosas. Estou numa fase zero compras para poder viajar mais 😉

Se você quiser se acabar nas compras, vá a TK Max.

✔️City Tour dançando – eu nunca tinha visto isso na minha vida. Cada pessoa vai com seu fone de ouvido e tem um guia que explica sobre a cidade e ensina coreografias. A coisa mais divertida do universo!

Migs, super hiper mega ultra recomendo essa cidade, que parece um filme de época! 💙

Azamigas!

Querida amiga-mãe-expatriada,

azamigas! Elas são tudo que você tem de mais importante nessa vida expatriada, depois da sua família. Sabe por quê? Elas são a sua família fora do Brasil. ❤️

Por outro lado, eu sei … eu também passo por isso. Morro de saudades todos os dias das minhas amigas do Brasil, de infância, da escola, da faculdade, de Pernambuco, do MBA, do circo e do trabalho.

É mais difícil fazer amizade na fase adulta, mas posso garantir que as amigas (de verdade) que fiz nos último cinco anos, em quatro países, são para uma vida toda.

Já escutei várias vezes que os ingleses eram muito fechados. Morei em Londres por quase três anos, e não conheci ninguém assim. Migs, não crie barreiras. Você precisa se adaptar, não eles. Seja flexível e mais aberta a essa nova cultura. Nada vai ajudar você reclamar que o povo do país é chato ou fechado, então faça amizade com pessoas de outro país. Se esforçe. Pessoas boas atraem pessoas boas. Acredito MUITO nisso!

Claro que é mais fácil quando você vai para um novo país estudar/ trabalhar – porque todos estão na mesma situação. Porém quando você muda porque o marido foi transferido ou está em busca de uma nova oportunidade de vida … é fodástico mesmo. Até porque tem muitas outras prioridades como serviços domésticos, comida, filhos, procurar emprego, aprender uma nova língua e etc.

Em todos os países que morei, azamigas me ajudaram MUITO. Não andianta. Você precisa fazer amizade em um novo país, senão vai morrer de depre e acabar a vida da sua família. Happy Wife. Happy Family.

Indicação

Um dos meus papéis nesse mundo é conectar pessoas. Não tenho a menor dúvida. Já saiu até casamento (Vivi e Erik, saudades!) Eu AMO apresentar azamigas que tenham afinidades.

Quando estou de mudança, já pergunto para todos os conhecidos se alguém tem amigas no novo país. Isso mesmo! Escrevo um post no face: “Estou mudando pela 122mil vez, quem poderia me apresentar alguém na cidade?”. Com essa tática, já conheci pessoas incríveis e também já conectei várias azamigas.

Facebook

Sempre tem grupo no facebook. Faça uma busca por: mães brasileiras em Londres, brasileiras em Madrid, amsterdam mamas e etc. Óbvio que tem pessoas nada a ver. Fuja dessas! Eu sempre posto meu nome, idade das filhas, e pergunto se tem alguém no meu bairro. Conheci minhas duas BFFs de Londres assim, a Paulinha e Carina (muita saudade!).

Escola do filho(a)

Se seu filho(a) estuda em escola Britânica ou Internacional, já é meio caminho andado. Sempre tem brasileira e pessoas que já moraram em outros países, como você.  Se estuda em escola local, esteja aberta ao novo.

Academia

Na academia é um ótimo lugar também.

Playdates

Eu faço semanalmente playdates na minha casa. As crianças brincam e as mães conversam. Terapia em dobro!

Festinha de criança

Migs, apesar da gritaria é sempre bom conversar com as outras mães nas festinhas.

Deixa de deprê!

Se uma amiga te chamou para fazer algo, vá! Deixa de deprê ou de se fingir ocupada. A louça estará no mesmo lugar, quando você voltar, para lavar.

Minha casa é a famosa Casa da Mãe Joana, Ciclana e Fulana.  Eu chamo todo mundo para 122mil eventos em casa. Algumas amigas não me chamam para nada, mas eu sigo fazendo porque é feio para quem faz, não para mim – essa frase aprendi com a Carol, minha mineira da Holanda.

Trabalho

Se você trabalha, com certeza terá afinidade com alguém do trabalho. Tenho algumas amigas que conheci no meu trabalho, em Londres. Nós viajamos juntas para outros países, e sempre que posso dou um jeito de encontrá-las. Sam e Jo, amo vocês!

Migs, sua loka!

Não é porque ela é brasileira que tem que ser sua amiga. Migs, sua loka, pelo amor né?

Eu via alguém falando em português, corria para me apresentar e virar BFF. Achava que tinha que ser amiga de todas brasileiras expatriadas. Hoje? Deus me livre e me leve para bem longe dessas pessoas nada a ver.🙏🏻

Tive uma ex-amiga, em Londres, que estava mega depressiva. Teve filho havia pouco tempo e claro, como sempre, eu quis ajudá-la. Chamava para sair, vir em casa e também emprestei TODOS os brinquedos da Valentina para o bebê. Adivinha? Ela sumiu, me bloqueou no face e levou os brinquedos também. Maluca feelings!

Outra ex-amiga, no Chile, me deu a chave da casa para cuidar das plantinhas enquanto viajava. Justo eu? As plantinhas morreram e ela nunca mais falou comigo. Sorte a minha!

Não é porque a brasileira é esposa do amigo do seu marido que você tem que ficar amiga. Thiago tem os amigos dele e eu as minhas. Em alguns casos, somos amigos do casal mas em muitos casos não, e segue o baile …

Tem louca brasileira em qualquer lugar do mundo. #ficaadica

Cuidado com as fofocas!

Migs, o que você pode esperar de um grupo de brasileiras expatriadas? Fofoca, claro. Uma fala da vida da outra, que fala da outra e por aí vai … se está com tempo livre, venha lavar minha roupa. Obrigada. De nada.

Óbvio que já passei por isso e o melhor que eu fiz foi me afastar. Você precisa aprender a filtrar, quem serve e quem não serve.

Grupo de WhatsApp

Sabe rolo de grupo do zap zap? Oxe, que preguiça! Saí de todos os grupos (até das brasileiras da escola, ainda bem!). Não tenho tempo para mimimi. Preciso passar aspirador de pó no tapete e batom vermelho.

Hoje tenho quatro grupos:

✔️Amigas da Nati Chile

✔️Amigas da Nati Londres

✔️Amigas da Nati Madrid

✔️Amigas da Nati Holanda

Colegas x Amigas

Migs, além de ser zero tímida, também sou geminiana e preciso falar, falar e falar. Tenho muitas, muitas e muitas colegas pelo mundo afora, mas poucas amigas para a vida toda. Elas sabem quem são. ❤️

Viagens cazamigas

Tenho um acordo com meu marido: duas viagens por ano cazamigas pela Europa. Esse ano serão três, porque estou com muitoooooo crédito. Ele foi para a Copa na Rússia com os amigos durante 10 dias. Migs, é bom demais! Sem filhas, claro. Vamos na sexta e voltamos domingo. Já fui com elas para Holanda, Bratislava (Eslováquia), Viena(Áustria), Oslo (Noruega), Bologna (Itália), Cracovia (Polonia) e Ljublijana (Eslovênia). Andamos pelas ruas sem pressa, comemos muito, bebemos, rimos, choramos e nos abraçamos.

Amigas de outras nacionalidades

Migs, não tenha só amigas brasileiras. Você aprenderá tanto, mas tanto com outras nacionalidades. Tenho várias amigas expatriadas pelo mundo afora, as mais queridas de Londres são a Samantha (americana), Josephine (francesa), Nurat (nigeriana),  Balkis (tunisiana) e Jenny (inglesa). Em Madrid, a Natasha (indiana), Vanessa (belga), Maitê (espanhola) e Paty (uruguaia) mudaram minha vida para melhor por lá. Na Holanda, a Dália e Rita (portuguesas), Natasha (indiana), Daria (russa) e Erika (africana). Aprendi demais com elas sobre cultura, diversidade, religião e muito mais.

Migs, já passei perrengues pelo mundo afora: internações, rotavírus, asma, convulsão, cirurgia e etc. Azamigas me ajudaram mais do que família. Serei eternamente grata.

Se você for gente boa, com boa energia,  me manda mensagem 😜