A vida como ela é … sem mensalista/diarista.

Amiga-mae-expatriada,

se você é brasileira, com certeza teve ou tem uma pessoa para ajudar com as tarefas da casa. Seja diarista ou mensalista. Na casa da minha mae, eu cresci com a minha amada e querida Nildinha. Eu nem sei o que seria da minha vida sem ela, tenho certeza que minha mae também não saberia, pois tinha que trabalhar e viajar muito. Foram 18anos juntas. Nildinha, serei eternamente grata!

Entao, fora do Brasil, o conceito é outro. Se você sujou, você tem que limpar. Simples assim. Nada mais justo do que isso.

Eu já até esqueci das mordomias do Brasil, afinal são cinco anos nessa vida expatriada. Todos os anos, quando volto, fico muito chocada. Óbvio que a minha vida seria muito mais fácil se eu tivesse uma diarista/ mensalista, mas não é esse valor que quero passar para minhas filhas, alguém fazendo tudo para elas. Me sinto bem em viver em uma sociedade mais justa, sem tanta desigualdade. Tudo aqui é mais prático. E, claro, meu marido faz uma boa parte das tarefas domésticas (um salve para o homao da poha!) e minhas filhas também ajudam, de acordo com a idade delas. Aprendi a desapegar, aliás essa palavra soa como um mantra por aqui. Tenho outras prioridades do que passar roupa, toalha e lençol.

Quando eu morava em Londres, minha querida vizinha Jenny, nunca – juro por Deus! – nunca teve uma pessoa para limpar a casa. Detalhe, ela tem a minha idade – 36 anos. Lembro do dia que ela chamou uma brasileira para limpar sua casa, apenas por 3horas na semana, pois tinha acabado de fazer uma cesárea. Ela me disse: “Nati, você não vai acreditar! Ela arrumou minha cama igual cama de hotel, com os travesseiros e almofadas alinhadas”. Ah minha gente, só sei de uma coisa: o ignorante é muito feliz! Quando você não sabe o que é isso, tudo é novidade. Quando esse conceito está enraizado, é muito difícil se acostumar sem essa regalia. Sim, porque isso é luxo na Europa, Estados Unidos e boa parte do mundo.

Pela minha experiência, no Chile e Espanha, infelizmente ainda existe esse conceito da ajudante morar com você. Ela mora de segunda de manha até sábado depois do almoço. Para quem me conhece, sabe que eu acho isso um modelo casa grande e senzala, mas não quero polemizar esse post. Elas são de outros países da América do Sul, como Bolívia e Uruguai. Mandam praticamente todo o dinheiro que ganham para a família e filhos, no país de origem. Trabalham das 6h às 22h30. Na Espanha, muitas são filipinas para falar inglês com os filhos dos “rhycos” e “milhonários”. Ganham de 800 a 900euros por mês.

No Chile, a Eli foi meu presente. Querida Eli, muita saudade! Quando fomos embora do Chile, ela me disse que eu fui a melhor coisa que poderia ter acontecido na vida dela. Morro de chorar até hoje, quando lembro. Enfim, rímel borrado novamente, mas vamos ao que interessa … ela me ajudava duas vezes na semana,das 10h às 16h, por 18mil pesos chilenos a diária. Na época, há quatro anos, dava em torno de 70reais.

Na Europa, a cleaner cobra por hora.

Custa 10 euros a hora da cleaner em Londres. Tive a sorte da Lipa ter cruzado a minha vida. Lipa, meu amor, obrigada por tudo sempre! Quando mudei, ela fazia 4horas na semana para mim. Ela é tao honesta, mas tao honesta, que me disse que 4horas seria muito pois conseguiria arrumar a casa toda em 3horas. Sim, amiga-mae-expatriada, honestidade existe fora do Brasil! Ficou acertado dela arrumar a casa em 3horas e passar a roupa em 1hora. A Lipa ía um dia da semana e fazia 4horas. Eu morava numa casa vitoriana de três andares (típica casinha londrina) e ela fazia tudo com amor e muito bem feito. Depois que a Victoria nasceu e eu voltei da licença maternidade, aumentamos para 5 horas, ela vinha duas vezes na semana, fazia 3horas um dia e 2horas no outro dia.

Em Madrid, a Kelly salvou minha vida. Marido operado do joelho, sem andar, e as meninas de férias. Combo perfeito para a minha loucura. Nao sei o que teria sido da minha vida sem ela. Kelly, você foi uma das melhores coisas que aconteceram em Madrid para mim! Em Madrid, custa 8 euros a hora de uma cleaner. Ela vinha duas vezes na semana. Fazia 4horas um dia e 3horas no outro dia. Eu era rhycah!!!

Em Amsterdam, a Thais é minha ajudante. Ela faz 6horas na semana. Uma querida! Super rápida e esperta. A hora custa 12,50 euros. Sim, é o mais caro que já paguei. Como eu e meu marido trabalhamos todos os dias da semana, optamos, dessa vez, por termos mais horas, no total 6horas divididas em dois dias. Também já tive a Lud, a Rainha da Limpeza em Amsterdam, mas depois que mudei, minha casa ficou longe para ela.

Aqui em Amsterdam, as holandesas com quatro filhos (normal por aqui!) tem au pair. Custa 500 a 600euros por mês. A pessoa mora com você e estuda pela manha todos os dias da semana. Normalmente, de três a seis meses.

O mais importante é o desapego, amiga-mae-expatriada. Você nunca vai ter a vida que suas amigas e família tem no Brasil. Aqui nao será melhor ou pior, apenas diferente! Não vire refém da sua casa. A vida aqui já é tao dura, em alguns sentidos, que é melhor comer feijão congelado e ser feliz. Não da para ter os dois.

Sigam essas dicas, mas se tiver sol lá fora, saia. Vá aproveitar o mundo e esqueça da sua casa!

  1. Compre um aspirador mara, vai virar seu BFF (o meu é Miele! Mas já me falaram do Dyson e do robot).
  2. Esqueça pano de chão, a famosa fregona será sua confidente.
  3. 122mil paninhos de limpeza. Sai para lá! Quem vai lavar tudo isso? Compre Dettol, aqueles lencinhos que já vem com produto. Minhas filhas limpam a mesa com isso, depois do jantar. Isso nao é trabalho infantil, mas sim ensinar valores desde cedo.
  4. Baldes. Minha mae tem uma infinidade de baldes, como virginiana nata, ela escreve até os nomes nos baldes: Balde para pano de prato. Balde para pano de chao. Eu morro de rir quando ela vem aqui e fica surtada com apenas um balde que eu tenho. Mae, querida, nao tenho onde enfiar os baldes da vida. Só um para as roupas e lençóis das meninas.
  5. Rodinho de pia. Nao tem em Londres. Quando alguém ia me visitar, eu sempre pedia.
  6. Lavar a louça. Aqui em casa enfiamos tudo na máquina de lavar. Quando está cheia, é so ligar. Já vi várias pessoas passando uma água nos pratos, antes de colocar na máquina. Meu Deus, para que lavar duas vezes? Guarde esse tempo extra para sua série favorita do Netflix.
  7. Quando usar uma assadeira, coloque papel alumínio antes, assim nao precisa passar horas lavando; tirando o grude (como fala na minha amada terra Recife). Uma dica da Paulinha, minha BFF londrina.
  8. Varal. Não existe varal de teto, somente de pé. Pois é, amiga-mae-expatriada, às vezes o varal é a cabaninha das kids. Na grande maioria das casas, fica no meio da sala. Já faz parte da decoração, tipo a minha.
  9. Produtos. Nao temos uma infinidade de produtos para limpar a casa. Um para a cozinha. Dois para o banheiro. Um para o chão. O Rei da Europa: Viakal! Ele tira toda aquela parte branca que a água da torneira/chuveiro tem.
  10. Sapatos são para serem usados na rua. Entrou em casa, tire o sapato. Todas as casas são assim, claro, porque são limpas pelo dono da casa.
  11. Passar a roupa. Credo! Eu quero é ser feliz! Aqui em casa, só passamos as camisas de trabalho do Thiago e alguns vestidos meus. Nadica mais.
  12. Lavar roupa. É muito importante ter uma rotina. Aqui em casa, lavamos as roupas duas vezes na semana. Não separo as roupas brancas das escuras. Não separo as roupas das meninas. Somente separo toalhas e lençóis. Tudo, absolutamente tudo vai na máquina. O sabão é neutro. Não uso amaciante. Lavar roupa a mao? Ixi, já nem compro roupa que tenha que lavar a mao. Obrigada. De nada.
  13. Cestos/Caixas. Na Ikea tem 122mil modelos de cestos e caixas lindas. Compre. Uso para os brinquedos, mas você pode usar para organizar muitas coisas.

Querida amiga-mae-expatriada, é libertador nao depender de ninguém, mas o mais importante, para mim, é passar determinados valores para essa geração que tem tudo e pode tudo.

Nossa vida em Madrid, Espanha!

A vida ía muito bem, obrigada, em Londres. Mas por quê eu não posso ter uma vida “normal”? Dentro dos padrões, como dizem por aí. Lá veio o marido com aquela frase, de sempre: “Precisamos conversar!”. Ohhh céus, e que céu azul! Viemos parar em Madrid, na Espanha.

Thiago foi em dezembro, e eu fui com as meninas em janeiro de 2017. Já estive na Espanha três vezes, a passeio, antes de mudarmos. Morar na Espanha foi uma bela lição em todos os sentidos. Madrid é uma cidade linda, clima maravilhoso: frio na media certa e calor, muito calor por muitos meses do ano. Um céu azul de brigadeiro! A comida é maravilhosa, solomillo e croqueta, vocês serão sempre bem-vindos!

Para mim, tem um pouco de Brasil e tem um pouco de Europa. Tem o bom de tudo! Teve amigas queridas também, para uma vida toda. Teve muito sol e muita piscina. Teve um joelho, do marido, quebrado no meio do caminho (só para nos dar mais forças e unirmos ainda mais!). Teve filha aprendendo espanhol. Teve muita burocracia. É um país que ainda não saiu da crise. Teve família visitando. Teve festa do nosso niver – sim, fazemos aniversario juntos. Teve laje, ahhh que laje! Teve picnic na piscina. Teve sorvete, muito sorvete. Teve passeio de moto. Teve churrasco. Teve escola nova. Teve muita Zara, amiga-mae-expatriada. Teve paciência, muita paciência, porque minha autorização para trabalhar não saia. Teve Ibiza, Formentera, Menorca, Mallorca, Avilla e Toledo. Teve 5 anos da Valentina. Teve 2 anos da Victoria. Teve tudo isso em apenas 7 meses!

Ibiza, maio/2017.

Madrid, muchas gracias. Foi intenso, caloroso e delicioso!

Nossa vida em Londres, Inglaterra!

Mais uma vez, a vida tinha tomado forma em Santiago, Chile. Tudo dentro da rotina – eu adoro uma rotina! – e lá veio o marido com aquela frase: “Entao, a gente precisa conversar!”Essa frase já até virou piada entre nós. Sentei na cama, olhei a Cordilheira do Andes (minha vista rhycah do apartamento!), e lá no fundo eu sabia o que estava por vir. Ele tinha recebido uma proposta para trabalhar em Londres, na Inglaterra. Sabe quando os olhos brilham e o coração acelera? Essa é a certeza, vamos!

Mais uma vez, Thiago foi na frente, em abril de 2014. Eu fui com a Valentina no dia 28 de maio de 2014. Exatamente, na mesma data, um ano depois, mais uma mudança para melhor!

A primeira foto em Londres, maio de 2014.

Ahhh Londres! Essa cidade meu deu tanto, me ensinou tanto. Tenho certeza que mais do que a metade do blog será sobre os quase três anos mais felizes da minha vida.

É uma cidade fascinante. Museus, teatros, restaurantes, paisagens, parques, castelos, The Queen … enfim, tantas coisas! Eu aprendi muito sobre igualdade, religião, culturas, lavei roupa, lavei muita louca, aprendi a cozinhar, reciclar o lixo (mais importante, gerar menos lixo!), trabalhei, engravidei e sai de licença maternidade. Tive a Victoria, de parto normal, em um hospital público. Por esse motivo, Londres tem o pedaço maior do meu coração. É a minha cidade predileta no mundo!

Última foto em Londres, dezembro/2016.

Londres, muito obrigada por tudo. Eu volto sempre!

Nossa vida em Santiago, Chile!

Sabe quando você acha que tem TUDO na vida? Esse TUDO já não vale mais nada para mim. Porém, lá em fevereiro de 2013 eu achava que tinha TUDO: saúde, família morando perto, tínhamos acabo de comprar o apartamento dos sonhos, tínhamos mudado há três meses para o típico apartamento paulista – não me levem a mal, até porque eu sou paulistana (prédio novo, varanda gourmet de coxinha e 122mil coisas dentro prédio) – emprego que eu queria, tinha acabado de voltar da licença maternidade (Valentina tinha 5 meses), tinha a querida Nilda (ela merece um post só dela! Ajudou minha mae 18 anos da minha vida), meu marido era bem sucedido também … mas aí veio a vida, cheia de surpresas, e virou tudo ao avesso. O avesso é o nosso melhor lado.  Thiago recebeu “A” proposta de trabalho! O único detalhe, no Chile.

Eu sou filha única, não sou mimada (já fui quando criança, lógico!), e morei 29anos no mesmo apartamento, na Vila Madalena. Até hoje, não sei como consegui morar 29 anos na mesma casa, e nos últimos seis anos já morei em nove casas! Sou mega apegada a minha mae. E justo ela, que me ensinou a não ter a tal “Síndrome do Peter Pan”, onde eu teimava em voltar ao ninho e nao querer crescer. Ela foi a primeira a dizer: “Minha filha, vá!”. Mesmo sabendo, lá no fundo, que isso me levaria para longe, bem longe dela.

Nós ja conhecíamos o Chile. Fomos para Santiago em janeiro de 2011, e esticamos até o Deserto do Atacama. Viagem incrivelmente incrível!

Thiagoooo, vou te tirar daí! 🙂

Nao é miragem! Uma das lagunas, mais lindas, no meio do deserto.

Sabe aquelas oportunidades que acontecem uma vez na vida? Essa foi a nossa! Foi “A” oportunidade de sair do Brasil. Eu nunca quis sair do Brasil, já conhecia, na época uns 20 países, e hoje eu agradeço todos os dias aquele dia! Claro que 122 mil coisas passavam nas nossas cabeças. Realmente, tínhamos  TUDO e para que mudar? Simplesmente, pelo fato de mudar. Sair da zona de conforto. Isso faz muito bem, minha gente!

Bom, foi aquela correria de sempre. Cancelar os contratos, escolher a empresa de mudanças (sempre levamos a casa toda no container), vender carro e moto, doar mil coisas, fechar as contas, visitar todos medicos … ixi, uma lista incansável! Mal sabia eu que era a primeira de muitas. Isso tudo com uma bebezuca de seis meses de idade.

Thiago foi na frente, em fevereiro, eu e Valentina fomos no dia 28 de maio de 2013. E em mais um país, começamos uma nova vida!

Viña Casas del Bosque, Santiago

O Chile vai morar para sempre no meu coração, pelo aprendizado, país seguro, povo querido, céu azul, mar gelado, esquiar na neve, vulcões, viñas, museus, e as amigas mais queridas. Chi Chi Chi Le Le, te echo de menos!

 

 

Sobre o blog!

 

Olá! Hi! Hola! Hallo!

Sejam bem-vindos. Sou expatriada por amor ❤

Sim, deixei meu amado e querido Brasil. Deixei minha família. Deixei minha carreira. Deixei azamigas(os). Deixei casa. Deixei tudo para trás … por amor! E aí, foi exatamente onde eu ganhei.

Ganhei muito, muito mesmo. Ganhei uma bela aventura de uma mãe expatriada.

Um agradecimento especial ao meu marido, Thiago Marchi, por virar meu mundo ao avesso. E esse avesso é onde eu quero realmente viver. Nos últimos cinco anos, moramos em cinco países.

Agradeço as minhas filhas, Valentina, pela doçura, e Victoria, pela alegria. Em cada país, elas foram a minha razão para seguir em frente.

Agradeço a minha mãe, Rosa Maria Campos, que me ensinou a voar, em todos os sentidos, desde pequena. Mesmo sabendo que esse voo a levaria para bem longe dela.

Agradeço as amigas que fiz em todos os países. Queridas, se nao fosse vocês, cada país nao teria sido tão especial para mim.

Assim como eu, tem milhares de expatriadas pelo mundo afora. O blog é para as as amigas-mães-expatriadas. Nós, somente nós, sabemos o quanto é difícil criar filhos longe da família em uma cultura diferente, enquanto o resto do mundo acha que você está sempre rhycah de férias.

O blog é meu hobbie, tudo sobre meu dia-a-dia. Nossas viagens. As adoráveis inutilidades do mundo que eu sigo comprando e deixando o marido louco. Minhas meninas. Sobre a vida em cada país que moramos.

Ele não é minha fonte de renda. Eu trabalho para uma empresa francesa de TI, graças a Deus! Por que é mais difícil cuidar das filhas full time do que trabalhar fora, certo?

Vamos rir dessa vida expatriada: expectativa x realidade = zero glamour.